A ressonância de Schumann: Ciência ou esoterismo?

O termo ressonância foi provavelmente usado pela primeira vez em 1602, quando Galileo Galilei, nas suas pesquisas com pêndulos, descobriu que, em certas frequências, os sistemas tendem a oscilar em máxima amplitude.

Esta ressonância ocorre com vários tipos de vibrações, como magnéticas, acústicas, electromagnéticas, etc. Séculos mais tarde, surge uma nova teoria, que liga a ressonância com o planeta Terra e que ficaria conhecida como a ressonância de Schumann.

Winfried Schumann (1988-1974) foi um físico alemão, que por volta da década de 50 criou uma teoria que defendia que o nosso planeta estava sujeito a um campo electromagnético de baixa frequência, e que nesse campo, existe uma ressonância mais ou menos constante de 7.8Hz, embora apareçam variações em algumas ocasiões específicas de 8Hz ou até mesmo de 11Hz. Como a circunferência da Terra é de 40 mil km, as ondas eletromagnéticas, que se propagam a 300 mil km por segundo, podem dar 7,5 voltas no planeta em apenas um segundo. Isto estabelece um valor base para a frequência de ressonância em 7,5Hz.

O cérebro humano e todos os vertebrados operam também nesta mesma frequência do planeta, a 7.8Hz, e assume-se que é a frequência de equilibrio do planeta e de todos os seres.

O teólogo brasileiro Leornad Boeff, atribui extrema importância à ressonância de Schumann:

Não apenas as pessoas mais idosas mas também as mais jovens tem a experiência de que tudo está se acelerando excessivamente. Ontem foi Carnaval, dentro de pouco será Páscoa, mais um pouco, Natal. Esse sentimento é ilusório ou tem base real?

Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tiveram a frequência de 7,83 pulsações e a vida desenrolava-se em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada a partir dos anos 90, a frequência passou de 7,83 para 11 e para 12Hz por segundo. O coração da Terra disparou.

Coincidentemente, desequilíbrios ecológicos fizeram-se sentir: perturbações climáticas, maior actividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros. Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.

Esta é sem dúvida uma teoria interessante e que vale a pena analisar. Em relação à questão do tempo, os nossos relógios continuam a marcar as 24horas, mas não nos podemos esquecer que o tempo, como designado pelo Homem não existe e foi apenas uma invenção para nos organizarmos como sociedade. Posto isto, será verdade que o tempo passa cada vez mais depressa? E se sim, ocorre em consequência do aumento da frequência das ressonâncias?

É verdade que já se registaram desde o aparecimento desta teoria, outras frequências mais altas que a de 7,8Hz, embora esta tenha sido de facto a mais constante ao longo dos tempos. Tanto assim era, que as comunicações militares ocorriam nesta frequência. Actualmente, encontramos-nos numa frequência de 12Hz, de acordo com esta teoria, quando atingirmos os 13 ciclos por segundo, chegaremos ao “ponto zero“, no qual se assume que o eixo da terra se vai alterar juntamente com uma mudança dos pólos magnéticos da Terra. Alguns geofísicos indicam que as catástrofes naturais que têm sucedido nos últimos tempos, são uma consequência directa da alteração da frequência da Terra e da alteração do eixo de rotação, que originam terramotos, inundações, tsunamis e até mesmo deslocações de ilhas, como aconteceu com Sumatra em 2004, em que o maremoto levou à deslocação da ilha em cerca de 15 metros, de acordo com medições feitas pela NASA.

Algumas teorias dizem que o ponto zero, dará origem a uma nova dimensão, a quinta dimensão, sendo que a quarta dimensão seria o ponto zero. Na quinta dimensão, toda a humanidade seria altamente intuitiva, teria capacidades telepáticas e seria capaz de actuar e compreender realidades paralelas. Para isto empregaríamos maioritariamente o lado direito do hemisfério cerebral. Actualmente, ainda não compreendemos todo o potencial do nosso hemisfério direito e como tal, dependemos em grande maioria do esquerdo, que é o mais lógico e mais orientado à razão pura e ás coisas concretas.

Podemos relacionar esta nova era e este despertar de consciência com as crianças Indigo. Resumidamente, a teoria das crianças Indigo remota aos anos 70 e indica que serão os humanos do futuro, uma vez que possuem capacidades paranormais, como telepatia e um maior entendimento do mundo que os rodeia e da sua própria consciência. Existe uma discussão fervorosa à volta deste tema, em que alguns defendem que estas crianças sofrem de desordens psicopatológicas; ainda assim, não deixa de ser curioso verificar como esta teoria das crianças Indigo, está em concordância com o aparecimento de uma quinta dimensão e vice-versa.

Investigando este tema, descobri alguns estudos que relacionam a ressonância de Schumann com a saúde humana, nomeadamente com a inteligência. Num estudo realizado por uma investigadora da Universidade de Lincoln na Nova Zelândia, encontrou-se que a inteligência humana é “sincronizada” pela ressonância de Schumann e que a não sincronização com esta frequência, pode estar na origem de problemas cardíacos, neurológicos, falhas do sistema reprodutivo e cancro. ( N. J. Cherry. “Human intelligence: The brain ,an electromagnetic system synchronised by the Schumann Resonance signal”, Medical Hypotheses (2003) 60(6), 843–844 )

O investigador australiano Lewis B. Hainsworth, foi dos primeiro em sugerir que a saúde e o equilíbrio humano dependem directamente da frequência electromagnética da terra e que aparelhos como o HAARP (que mencionarei em seguida) são extremamente prejudiciais para o planeta e para a saúde de todos os seres em geral. Segundo este investigador “as frequências resultantes de processos naturais electromagnéticos, que circulam na cavidade da terra e da ionosfera, têm desde sempre sido responsáveis pela evolução e desenvolvimento das frequências operativas das principais ondas cerebrais; em particular, as ondas alfa, são tão exactas que não devem sofrer interferências prolongadas de outros sinais“. O trabalho deste autor, indica que alterações a estas frequências são perigosas para a saúde e que será difícil detectar estas interferências, uma vez que ocorrerão em situações de stress e darão origem a comportamentos anti-sociais, psicopatologias, transtornos psicossomáticos e doenças neurológicas. Também nas teorias deste autor, existe referência ao aumento de casos de cancro e ao aumento de infertilidade da população. Por estas razões, o investigador sugeriu que fossem feitas medições da ressonância de Schumann periodicamente e que se comparassem com os níveis de suicídio, violência e doenças na população.

Ouvimos frequentemente falar de teorias apocalípticas do fim do mundo, muitas vezes atribuídas à civilização Maia, mas que são uma interpretação exagerada e pouco fiel ás escrituras deixadas por esta civilização.

Segundo especialistas do centro de estudos Maias, da Universidade Autónoma do México, os Maias não fizeram referência a nenhuma profecia mas sim ao fim de um ciclo de 13 bactunes, equivalentes a 5.125 anos, e o início de uma nova era. Os Maias não tinham uma noção linear do tempo, como possuímos nós na cultura ocidental; eles acreditavam que o tempo era circular, e como tal, que a história se repetia em determinado momento.

Um bactun é uma unidade de tempo dos Maias e equivale a 144 mil dias do nosso calendário ocidental; multiplicada por 13 bactunes, equivale a 5.125 anos, que coincidirá com o dia 22 de Dezembro de 2012. Não existe nenhuma referência ao fim da humanidade nem a catástrofes, existe apenas a indicação do fim de um ciclo e de um começo de uma nova era.

Os mais cépticos podem dizer que se tratam apenas de superstições esotéricas, mas estas teorias têm interessado a muitos científicos e despertado a curiosidade de alguns governos. Nos Estados Unidos, mais precisamente no Alaska, existe um projecto, que originalmente era secreto, que tem por nome HAARP (High-frequency Active Auroral Research Program).

O objectivo deste projecto, como poderão constatar pelo link referido abaixo, é emitir frequências directamente para a ionosfera e verificar os resultados e consequências. O HAARP, emite um bilião de watts através das suas antenas, criando um efeito similar ao sol. Quando se emite determinada frequência em alguma parte da Terra, enviam-se ondas de rádio e esta determinada zona, por sua vez, devolve-nos determinado som ou frequência, com o qual se poderia supor que nesse sitio existe por exemplo gás natural ou petróleo. Para efectuar estas experiências seriam necessários apenas, cerca de 30 watts. O projecto HAARP emite um bilião de watts; Esta vibração é tão intensa, que seria suficiente para causar terremotos e alterações climáticas e geográficas.

As frequências electromagnéticas também podem ser programadas para intervir no cérebro humano e nas nossas emoções. O nosso cérebro opera em frequências muito baixas, quando estamos activamente a pensar geramos frequências de 13 ou 14 ciclos por segundo, quando meditamos funcionamos em 8 ciclos por segundo e a dormir, em 4 ciclos.

HAARP está capacitada para emitir todas estas frequências. Podendo controlar estas frequências e gerando várias combinações entre elas, pode controlar as emoções humanas, ocasionando tristeza, alegria ou até mesmo medo. Este projecto contempla uma nova forma de ataque ao mundo e à população – a guerra electromagnética.

Antes de tomar partido ou de acreditar ou não no que foi aqui escrito, o melhor mesmo é investigar por si e tirar as suas conclusões. Este artigo é um breve resumo de várias teorias e para as compreender melhor, é necessário investigar mais fundo. Para mim, uma coisa é certa,  existem demasiadas coincidências para que sejam só teorias sem fundamento. Desde 2004 têm sucedido repetidamente desastres naturais como tsunamis (Indonésia, 2004), terramotos (Haiti, 2010; Japão 2011), inundações (Brasil, 2008; Austrália 2011), erupções vulcâncias (Islândia 2010), furacões (Nova Orleans, 2005). Nunca na nossa história como humanidade, se registaram tantos desastres naturais como nas ultimas décadas.

Não  se exclui a hipótese de que o aquecimento global poderá ter algum papel na origem destas catástrofes, mas de acordo com as teorias apresentadas, terá uma influência mínima, aliás, será provavelmente uma consequência das alterações das frequências electromagnéticas da terra.

Links:

http://twm.co.nz/schumann.html (The Schumann Resonances and Human Psychobiology)

http://www.haarp.alaska.edu/haarp/gen.html (Projecto HAARP)

http://earthobservatory.nasa.gov/NaturalHazards/?img_id=12649 (Observatório da NASA)

10 comentários a “A ressonância de Schumann: Ciência ou esoterismo?”

  1. O cruzamento de informação entre HAARP e a ressonância de Schumann é interessante.
    No artigo refere que nos anos 80 houve um aumento na frequência terrestre. Isto deveu-se a que?

  2. A partir dos anos 80 e com mais incidência nos anos 90, começou a registar-se aumentos das frequências embora pelo que investiguei seja difícil determinar a causa exacta.

    Uma coisa é certa, o projecto HAARP começou a ser desenvolvido na década de 90, o que sem dúvida será um factor crucial, se não o mais importante na alteração do equilíbrio electromagnético da terra, aliás foi altamente criticado por vários governos (Rússia, Inglaterra). Também a radiação solar tem efeitos na ionosfera; vimos recentemente que houve uma “tempestade solar” e prevê-se outra para 2012.

    Algumas teorias defendem que o campo electromagnético da Terra é afectado também pela energia dos seres que nele habitam e vice-versa. Por isso, parece que esta alteração poderá ter sido gerada por um conjunto de factores que se têm vindo a agravar ao longo das décadas.

  3. Deparei-me com vários estudos que confirmam a importância da ressonância de Schumann na homeostasia do ser humano, para quem estiver interessado:

    - Friedman et. al (1965) documentaram a relação entre a actividade geomagnética e o aumento da admissão de pacientes em 35 instituições psiquiátricas.

    - Venkatraman (1976) e Rajaram & Mitra (1981) encontraram uma associação entre as mudanças no campo geomagnético e a frequência de ataques em doentes epilépticos.

    - Perry et. al (1981) traçaram uma correlação entre localidades suicidas em West Midlands, Inglaterra, com campos magnéticos de elevadas frequências.

    Além destas referências, quem quiser saber mais sobre este assunto, posso recomendar outras leituras.

  4. Olá, parabéns pelo belo e elucidativo artigo.Mas, segundo outros textos de estudantes de física que li na internet não há registros de alteração da ressonância desde sua descoberta, permanecendo até os nossos dias na casa dos 7 hz. O que os leva a desconsiderar essas afirmações que relacionam a ressonância com o aumento dos cataclismos e com a mente humana de infundadas e “místicas” no pior sentido da palavra. Existem referências e estudos sobre essas alterações desde a década de 80, que se intensificou nos anos 90, chegando há 11 e 12 hz na nossa década? Há estudos que mostram essa alteração? Obrigado!

  5. Olá Rafael, obrigada pelo comentário. Existem bastantes estudos que confirmam as consequências da alteração da ressonância nos humanos, num dos meus comentários mais acima faço exactamente referência a esses estudos e onde os pode encontrar. Mas claro está, para casa estudo a dizer algo existe sempre outro a contrapor, trata-se de investigar as duas partes e ver qual nos parece mais factual.

    Aquando da pesquisa para escrever este artigo também me deparei com ambos os artigos que menciona e tive oportunidade de os ler atentamente. Não defendo aqui que existe uma correlação cientifica e inexorável entre as alterações da ressonância e o comportamento humano, mas penso também que não se pode descartar por completo essa hipótese e que é sem dúvida um factor a considerar e a investigar mais profundamente como desempenhando uma influência na homeostasia do ser humano.

  6. Prezado A. Campos,

    Curiosamente, procurei no Google Earth fotos do local, no Alasca. As imagens do laboratório principal do HAARP foram postadas por um fotógrafo no Panoramio. Mas ao observar pelo satélite, o campo gerador eletromagnético não aparece totalmente na imagem. Parte dele aparece, o restante, está desfocado. Será possível que o campo consegue modificar a captação da imagem, haja vista estas imagens são captadas por meio eletrônico ? Ou seria uma camuflagem do governo para não se encontrar dados sobre o assunto ? Parece teoria da conspiração…
    Saudações,

    Simão Jabur

  7. Prezados,

    Desde que me deparei com as teorias acerca dos efeitos da alteração da Ressonância de Schumann (RS) dediquei algum tempo para estudar um pouco. Toda a teoria é de fato plausível, e sem dúvidas as alterações da RS teriam efeitos sobre a saúde humana. Acontece que ao verificar as medições da RS em estações e universidades do mundo todo observamos que a frequência não sofreu qualquer alteração nas ultimas décadas como colocado aqui e em outros sites.
    Sem sombra de dúvidas o assunto deve ser investigado de modo científico, porém, ao fazê-lo, devemos usar de seu rigor.
    Reitero que acho a teoria plausível e muito interessante, só não está amparada pelos dados científicos que temos.

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